Fim
10 Jun 2008 - 22:05:48
Estava sentado no chão. Encostado à sua parede encarnada, com a imagem do horizonte ao fundo, que olhava atentamente pela janela.
Nos joelhos, semi-flectidos, tinha um caderno e na mão uma caneta que agitava lentamente.
Nesse caderno estava a imagem do seu passado, do seu presente e do seu futuro: o retrato do seu eterno amor. Deixou cair uma lágrima enquanto olhava o crepúsculo e sentiu um arrepio.
Os seus dias, eram assim, tristes, desde que a sua vida, literalmente, acabara.
Só, velho, triste, melancólico, desamparado, ansioso, era agora o seu estado. Todos os dias, todas as horas.
O seu, triste, rosto reflectia a vida que leva de arrasto. O seu desgosto.
Tinha acabado de tomar uma decisão, a sua expressão dizia-lo, mesmo sem um simples gesto, ou uma simples palavra. Continuou ali, como se nada fosse, mas agora observava, curiosamente, o retrato que ele próprio fizera, até que se levantou.
Voltou a sentar-se no mesmo local, na mesma posição.
Colocou de novo o retrato sobre os joelhos, sorriu e depois no meio daquele triste silêncio, apenas se ouviu o som de um tiro.


 Phi 10-6-2008 19:56
Ribas · 402 vistos · Deixe um comentário

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